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Tag Archives: relationship advice

Não sou eu que coloco palavras na sua boca. Não sou eu que faço tudo muito difícil. Não sou eu que não presto atenção no que os outros querem. Não sou eu que falo baixo demais, nem que uso palavras grandes demais, nem que fico de picuinha com as palavras erradas. Não sou eu que insisto em fazer sentido. Não sou eu que estou tentando parecer melhor do que os outros, me fazer de inteligente, nem assumir posturas de professor. Não sou eu que quero forçar a minha maneira de ver sobre quem quer que esteja à minha volta. Não sou eu que não aceita as pequenices alheias. Não sou eu que não consigo aceitar ordens e hierarquias. Não sou eu que tenho falta de humildade. Não sou eu que tenho falta de sossego. Não sou eu que faço perguntas demais. Não sou eu que insisto demais. Não sou eu que critico demais. Não sou eu que filosofo demais. Não fui eu que falei só para machucar. Não fui eu que acusei antes de saber. Não fui eu que ofendi sem querer saber. Não fui eu que machuquei e fingi que não.

Não sou eu que me sinto desvalorizado pelas suas opções de vida e que tento te mudar apenas para me sentir melhor comigo mesmo. E não sou eu também que o faz sem perceber. Não sou eu que reajo visceralmente a um seja lá o que for que incomoda e desabo isso em enxurrada de insultos contraditórios.

Não sou eu que alego estar aberto e querer conversar, pra logo depois te jogar na cara que todas as suas mulheres são umas burras sem nenhuma qualidade que não a beleza.

Não sou eu que pergunto se você não se sente sozinho e logo depois me nego terminantemente a lhe mostrar minhas coisas.

Não sou eu que lhe acuso deslealdade sem sequer ler com atenção o que você escreve. Não sou eu que insisto em ver acusações onde há apenas uma ideia inesperada.

Não sou eu que lhe desqualifico com insinuações e faço um escândalo quando recebo uma crítica direta.

Não fui eu que não pedi desculpas.

Não sou eu que não quero dar minha cara à tapa.

É a sua palma que ainda não tem a força de acertar-me. O que me dói não é que você se recuse a isso ou aquilo, o que me dói é que você não esteja nem à altura do meu interesse. Minha mágoa não é o seu não, mas que nem sequer saberia dizer sim. Minha grande enorme mágoa é que lhe falta ainda muito feijão.

[transfering from tumblr]

No fim vários rolos acontecendo, e acho que uma análise honesta e pragmática das evidências disponíveis no caso levaria à conclusão de que meu ibope anda alto, e ainda assim sempre acabo levando pra casa um sentimento de falta, um certo desamparo, uma angústia-zinha-inha, e algumas vezes acho que é muito se achar, achar que tinha que haver mais, que eu estou querendo que caia do céu, e eu tenho um medo imenso de que também sou eu que não sou tão generoso com meu corpo, de que aquilo de não achei meu pau no lixo está na minha consciência bem fundo, tão fundo que embora eu tenha chegado à uma conclusão objetiva e baseada em dados de que não importa e eu não tenho nem moral nem intenção de negar seja quem quer que esteja querendo esse corpinho, eu não tenho pra quê negar mas acabo negando, eu tenho medo de que na hora eu faço a cara de «você não me merece» e a menina percebe mesmo que não tenha como colocar isso em palavras, pra simplificar eu não acho que meu ibope está baixo mas mesmo assim eu não tenho tido uma vida sexual ativa e é claro que penso um monte sobre isso tudo e uma explicação entre muitas outras é que pode até ter gente me querendo mas que ninguém me quer como eu sou, ou seja as pessoas querem ter alguma coisa que envolve me beijar e me tocar mas que não envolve sair da zona de conforto dela, que não envolve me entender nos meus termos, que não envolve mudar o vocabulário, e eu sei que os dois tem que fazer a mesma coisa, e eu sei que «ser eu mesmo» é uma puta máscara, mas mesmo sendo uma máscara existe alguma das máscaras que são mais confortáveis, que você se sente mais «em casa», e tem pressupostos em cada uma das máscaras e eu vejo muitos deles e tem pressupostos que me são bem difíceis de aceitar e tem algumas mentiras que eu não quero contar mesmo sabendo que tampouco tenho o poder de contar «verdades», mas eu queria tentar isso de ver a alma do outro e ter minha alma vista, e eu sei que é pedir um monte, e eu sei que uma parte do processo é coisa que eu tenho que começar, fazer sozinho uma parte, dar um primeiro passo, mas eu quero dar o passo, fazer esse caminho, mas queria sentir passos ao meu lado, e não apenas alguém olhando por uma janela para o meu mundo distante, e é ridículo que o estereótipo é que todo mundo está procurando isso, esse tal de compromisso, mas o que me parece é que o que se procura na verdade é alguém que tenha os mesmos preconceitos que você para poder continuar empurrando com a barriga a dois, me parece que os relacionamentos «normais» são só uma D.R. protelada para o futuro, e eu não quero esconder a minha alma como se fosse uma grande prova de amor você ter descoberto ela depois de dois anos de convivência, eu quero despejar isso tudo na sua cabeça no primeiro dia e que você despeje tudo na minha e que seja foda e estranho e errado mas que seja eu, que eu possa me sentir tentando ser eu mesmo, e que eu não tenha que ficar dando uma de capitão do relacionamento e navegando os medos alheios, e que seja um improviso e uma aventura e que seja também um carinho e uma curiosidade. E eu sei que eu podia ensinar isso tudo. E eu sei que estou exigindo demais. Mas tem algumas coisas que se você tem que pedir por elas perdem todo o valor.

[transfering tumblr]

A fidelidade (para alguns) é o que define o relacionamento de um casal. Um casal se torna um casal no momento em que prometem fidelidade um ao outro. Mas eu acho que existem dois tipos de fidelidade, e mais ainda, acho que é a fidelidade errada que é mais valorizada.

O primeiro tipo de fidelidade funciona assim: Você fode com o seu parceiro e com mais ninguém. Um beijo na boca é problema só porque se imagina que, como você beijou, também aceitaria sexo. Inclusive, ficar obcecado e apaixonado por um personagem em um livro não é um problema. Essa é a fidelidade do inseto-graveto, que passa uma semana copulando com a fêmea para que nenhum outro macho possa ter a chance.

Essa fidelidade é uma fidelidade negativa, porque ela se define por algo que você não deve fazer. Ela é uma proibição.

Mas existe um outro tipo de fidelidade. Vamos chamar isso de Lealdade. Lealdade é como uma fidelidade positiva, porque ela é um esforço que deve ser desempenhado: Você torna a vida do parceiro melhor, se esforça para isso.Você busca para ele o mesmo que busca para si, quer você chame isso de sucesso ou felicidade ou fama ou poder ou transcendência. Você age como se não houvesse diferença entre quem você é e quem o outro é. Vocês formam um time.

Para mim, essas são duas coisas completamente diferentes.

Mas mesmo assim eu entendo que são duas coisas do mesmo tipo. E de certa forma, dá pra imaginar que a fidelidade seja uma consequência da lealdade. Simplificando bastante, talvez seja mesmo. Mas as vidas das pessoas que eu conheço são bem mais complicadas. O que eu mais vejo são casais tentando obrigar lealdade do outro, mas através de uma exigência de fidelidade. Cada um tem uma ideia diferente sobre o que é o certo na relação, e ficam num eterno jogo de empurra em que ninguém nunca fica muito feliz.

Na minha forma de ver a coisa, o problema é que as pessoas querem ser amadas, elas querem lealdade, e isso não se pode cobrar, pelo menos não como se cobra um imposto. Um amor incondicional não pode ser uma condição. Você não quer que o outro faça alguma coisa para te mostrar lealdade, você quer que ele queira fazer. Você quer que a iniciativa parta dele. Que não seja uma obrigação, mas que ele veja aquilo como parte dos interesses dele.

Pedir do outro lealdade é pedir muito mais do que fidelidade.

Mas tem ainda uma complicação a mais que não dá pra esquecer: Nosso mundo hoje é sexualizado ao extremo. Estamos todos vendo e ouvindo coisas que lembram sexo o tempo inteiro, na publicidade e em todo lugar. E fica parecendo que o sexo é a solução do problema.

No fim, o que os casais esperam um do outro é só mesmo o controle do sexo. E a exigência nem é que o sexo entre eles seja bom, é apenas que não seja bom com mais ninguém. E no curto prazo isso ao menos te dá a segurança que o outro não vai se apaixonar por outra pessoa. Ele pode estar numa gaiola que você criou, mas ainda é uma gaiola. Mas pensando um pouco mais além, isso também significa que o outro se torna menos humano. O relacionamento vira apenas uma proibição.

Eu não acho que a proibição em si seja errada, mas eu acho sim que, se você está exigindo isso de alguém, provavelmente se esqueceu de exigir alguma outra coisa muito mais importante.

[transfered from tumblr]

(for C.Sch.)

i do not believe
all of this
all of that shit
all the pointless running
     and strife
and all the hurt
     of you trying to own me
even though i would like to be owned
     (some of them want to be abused
     you know?)
i would like to be owned by you
but you
you just didn’t know how to
     own me

[see:
if you’re my owner
i don’t have to explain to you
my displeased faces
the cattle does not explain to the shepherd
     their freudian dilemmas
and owning
     is having such strength that you override
     the personhood of the other]

so: i wanted to give myself to you
(and let’s be clear: you was not the only one,
just the latest one, and maybe even
just ’cause my expectations have plunged so low)
but you
couldn’t face the fact
that owning someone is a violence

now
what do you want me to say?

your life
and your maturity
are not my responsibility
i can’t have anything to do with them
before you
yourself
take responsibility for your relationship with me
as an adult

(everyone else does the other way, i know
but those are not relationships
they’re just bumping into each other)

and now i accept your gift
of hopelessness
of knowing that even those
     who say they’re looking for meaning
     are just bumping into each other
knowing that there is no perfect

i accept your gift of pain

2 more years
13 more years
70 maybe
nothing to account for them

being a failure
in everything i always felt important
’cause only you is important to me,
only people
only each and every person i ever met
     (to steal someone else’s words)
and people are only gonna make me suffer

even now that i expect nothing from them
(part of my pain was that you couldn’t really
hurt me
you said all the hurtful things
but so childishly it was like you really just wanted
to disappoint me)

i accept your gift
of yet again
knowing
i’m by myself
and that it hurts
and it means i am alive
numbed by your blind brutishness
but alive
still fighting
against
the blind brutishness of the world

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