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Tag Archives: politiks

A coisa mais perigosa para Frank Underwood é que a Caixa D’água dele parece uma bunda. Ele era político no estado do pêssego, e não tinha como não parecer bunda, mas isso não conserta. Ele matou um punhado de gente, mas metade dessas mortes ficam como êxito de guerra. Mesmo o assassinato a sangue frio da puta seria visto, por muita gente, facilmente, como heroísmo. É mais perigoso ser ridículo que terrível.

Da mesma forma, a defesa que Cardozo fez de Dilma só ajuda a acusação do impeachment, já que pinta uma imagem terrível do complô ridículo organizado por Cunha.

Nenhum dos votos será decidido pelos fatos, claro. Trata-se de uma decisão tomada fora da arena do julgamento. Sendo advogado, Cardozo talvez seja, fisiologicamente, incapaz de perceber a diferença. A imagem de terrível reforça essa situação. A imagem de ridículo mostra que, ainda agora, é possível re-fazer acordos, e que o jogo do impeachment é muito menos estável do que parece. Read More »

Democracia é dessas palavras que significam muitas coisas, e talvez signifique coisas demais. A ideia mais comum seria um tipo de votocracia, um sistema de governo que se fundamenta no processo de eleições.

A definição “oficial” (digamos assim) é sensivelmente diferente, algo como sistema político em que o povo domina. Digamos então que existe essa definição específica da democracia* que é o poder da multidão (usando o asterisco para demarcar o uso particular).

O grande porém é que, quando uma multiplicidade de pessoas exerce poder, o resultado é algo muito diferente daquilo que imaginamos como administração, como política. Ainda é política, e ainda é poder, e de certa forma até é administração, mas é todas essas coisas de forma diferente, não convencional.

Dá a impressão de que democracia* não é governo.

A diferença é tão grande que chega a ser difícil perceber esse tipo de democracia*, mesmo quando ele está bem debaixo do nosso nariz. Read More »

Te mando um alô do subterrâneo

Daqui a vista é ótima

Não se vê o mundo; contudo

este mundo ultimamente

é deprimente espetáculo

e assim, não vê-lo, privilégio.

Não que eu me ache melhor.

Este enjôo que me exaure

é fraqueza e não remédio.

Tentando somente

não aumentar o ruído,

não gritar quando é preciso calma,

porque o pânico da moral

causa muito, muito mais mal

do que o mal que acredita combater.

Isto afinal é Brasil

europeu que não sabe ser europa

xavantino que não sabe ser xavante

e não temos competência

para ser assim tão maus.

¿Nossos políticos são corruptos?

¡Certeza!

tanto de um lado quanto de outro,

mas não são nenhum Stálin;

roubam pra fazer churrasco na laje,

roubam muito e a laje é grande

mas ainda é só “tirar uma vantagem”

maldade de republiqueta de bananas.

Ora veja, gritar na gritaria

é aumentar o problema.

Chamar de monstro um burocrata

chamar de golpe um conluio

(ou chamar de crime uma trapalhada)

é dar força ao delírio.

Por isso eu te peço:

Não se rebele

e nem tampouco se conluie —

daqui do subterrâneo

é assim que se faz política.

Estamos todos no mesmo barco

estamos todos fodidos.

Nem os novos ricos

(achando que vão ficar milionários)

nem os utopistas

(achando que farão justiça social)

têm a menor noção.

Isto afinal é Brasil

buraco onde Pedro II era mais

republicano que Deodoro.

Ora veja, qual bufão

é mais caricato

¿que um ufanista brasileiro?

Sim, se estuda isso na escola

e então fingíamos que era sério

mas todo mundo sempre soube

(na boa) é uma chanchada.

Por isso de novo te peço:

não brigue com os Machisto

não brigue com as Feminazi

não brigue com os Reaça

não brigue com os Petralha

simplificando o pedido

não brigue.

Depois de montar o cavalo de batalha

ninguém mais tem o pé no chão.

A mente militante

é mente militar

é mente de soldadinho

tipo bucha de canhão.

Gritos de guerra não são ideias,

não são verdade nem mentira,

não são nada além de ruído.

E o tipo de fodido que estamos

não se resolve com programa de governo

nem da direita nem da esquerda.

O dia que o sol não brilhar

o maior de todos os ditadores

será ditador das cinzas.

E o clima está quebrado.

Nem Capitão Planeta e seus amigos

fariam qualquer diferença.

O que funcionava antes

não vai funcionar mais

e por isso há perigo

e por isso há ruído

e por isso há medo

e por isso há ódio

por isso peço calma.

A guerra pra ver quem fica

no trono no topo do mundo

é uma tragédia em que todos caem

e a falta de acesso ao espetáculo

é o maior valor imobiliário

do meu buraco

no subterrâneo.

[Esse post é uma resposta à uma discussão de bar. Acho que eu não tenho competência de reproduzir exatamente as opiniões do meu interlocutor, e isso pode tornar o texto um pouco esquisito. Me pareceu que ele estava dizendo que o monoteísmo é a razão fundamental pela qual a bancada evangélica é intolerante ao ponto de impossibilitar o diálogo. Eu partilho de uma boa parte dessa crença, certamente partilho o horror e o desespero com a nossa bancada evangélica. Compartilho a intolerância contra a intolerância religiosa desse grupo. E justamente por isso acho que a questão é mais complexa, e que é preciso ser mais cauteloso com os conceitos da teoria das religiões.]

Começando do final: Mao era Católico. Se bem que eu não disse isso, minhas palavras foram: “Não quer dizer que Mao não seja Católico”. A diferença é sutil. Mas vamos lá. Mao foi profundamente influenciado por Marx, e esse por sua vez profundamente influenciado por Feuerbach.

Não estamos acostumados a ver a coisa assim, porque o resquício do debate são críticas que Marx faz a Feuerbach. No entanto, as noções de “estrutura” e “superestrutura” (que são ingredientes fundamentais da cozinha marxista) vêm diretamente de Feuerbach. A tese fundamental era de que as comunidades cristãs alemãs reproduziam os interesses da burguesia alemã e não da bíblia, muito embora as historinhas que elas contavam fossem tiradas da bíblia.

Nesse sentido, era exatamente a mesma coisa que Lutero dizia quando falava que o comércio de relíquias praticado pela instituição católica era imoral: Afirmava que isso estava de acordo com os interesses econômicos mas não de acordo com a bíblia. Read More »

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