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Tag Archives: meaning

(This is for Daria. I got your letter. I’ll also reply in paper. But this belonged here.)

Under the skin we are all the same red sh1t, but still we all pretend to be so special, we all pretend to be these beautiful snowflakes, when (if we dared to admit it) we are all just alone.

And in turn this means we all just want a hug, we just want to be loved, but since we can’t we try all sort of dumb stuff, like getting ultra-rich and super-famous and über-sexy and extra-learned, as maybe ways to be loved, and it all backfires monstrously and we get eco-catastrophe, consumerism, plastic surgery and Maffesoli.

The most precious thing in life is the fleeting, vaporous, light moment when we can see the world through the same eyes as someone else, when we are really together, when we share a thin slice of meaning with another person. But the world seems made in a way to spoil and destroy this shared meaning. Read More »

“Wow, you really look a lot like the late ‘super minister’. A lot.”

“Funny. Most people in this village have no idea who you’re talking about.”

“But you do?”

“I suppose.”

“Wait. You are not him, are you?”
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Semana passada aconteceu de eu assistir dois espetáculos de dança que, infelizmente, muito pouca gente vai ver (Santas Quebradas, da Tribo Cia de Dança, e Distância entre II, da Quasar Cia de Dança). Dois espetáculos extremamente diferentes, de duas companhias extremamente diferentes, mas eu encontrei um movimento praticamente igual nos dois.

Um casal. Um deles está no chão. O outro leva o pé até a sua cara, e empurra.

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Não tem muito que se possa discutir com um chute na cara. Pesado. Um mundo de emoções e significados habitam esse movimento.

No entanto, me chamou atenção que, de alguma maneira, esse mesmo movimento é extremamente diferente nas duas peças, ele significa uma coisa diferente, embora fisicamente seja igual. Só que essa diferença é muito difícil de explicar. Basicamente, tem a ver com a literalidade. Read More »

A palavra “sentido” tem vários (bem…) sentidos. Mas a riqueza (semântica) contrasta com a pobreza (existencial).

O 1º e mais simplório: Sentido como «direção». Este mundo tem por certo uma direção, mas esta é a direção do precipício. Todas as fichas estão apostadas numa economia | tecnologia | ideologia fundamentalmente baseada no petróleo quando a produção de petróleo está condenada a cair (+ ou – bruscamente). Um mundo que não tem um Plano B pode, sem demasiada licença poética, ser chamado de um mundo sem sentido.

Mas tudo bem, é possível se divertir até num mundo que vai para o brejo. Portanto 2º, meio obscuro: Sentido como «sensação», algo que se sente. E, de novo, este mundo tem por certo sensações, muitas e variadas – variado == diverso == diversão == confundir. Longe de mim dizer que nada se pode aprender com o entretenimento, mas quem, depois de 22 anos, não percebeu que por trás da contínua novidade existe uma sólida mesmice, escolheu os filmes muito mal. Talvez como o pior tipo de drogado, o que não tem sequer o mérito de saber se drogar, nunca sentindo o total efeito da droga e portanto demorando bastante para desenvolver tolerância, numa demora que não é adicional de desfrute e sim perda de tempo. Mesmo o viajar, essa suprema forma de entretenimento, não é sensação se transformada numa coleção de sensações. Porque essas pessoas todas, que creem buscar o bom e o melhor, que creem sentir a felicidade até o limite, não fazem mais que fugir de suas próprias limitações, que evitar tudo o que teste os seus limites. Portanto, evitar sentido.

E limites sugerem 3º, meio nefasto: Sentido como «prontidão, atenção». E este mundo tem uma grande falta de sossego, que adoraria ser confundida com prontidão mas não passa de rigidez. E é nefasto isso porque trata-se do poder, da máquina, da impiedão, que nos sujeita a todos, que nos obriga, que despedaça os sonhos. E se parece com atenção porque reage, mas não por saber o que fazer, antes por medo, por estúpido recalque, por incapacidade de enxergar o curioso, o inocente, é “não fui eu”, é “já estava assim quando eu cheguei”. E é, portanto, “não me toque” quando estão todos sedentos de um afago e de um carinho. E é parecido isso com estar sedento de sentido.

E quase caímos um 4º, comum mas ardiloso: Sentido como «interpretação, conteúdo». Porque todos queremos ser entendidos, mas poucos se dão a entender. Tornar-se enigmático é defesa muito em voga, e um mundo em que todos fazem pouco sexo porque estão fazendo cara de quem faz muito sexo é (desculpe a franqueza) um mundo sem sentido.

Ou, talvez, um 5º que é quase o anterior ao contrário: Sentido como «significado». Esses seres enigmáticos todos juram saber o significado do mundo ou ao menos saber quem sabe. Esses significados parecem ter em comum total desconexão com a minha (e sua também, embora você não vá admitir em público) experiência cotidiana. Viés de confirmação não é realidade, nem um quadro afixado num quarto escuro prova que exista um “mundo lá fora”. Provincianismo é muito válido quando me aferro à minha província, mas hoje parece obrigação ser cosmopolita. Esse batalhão de “ases da estrada”, é claro, só enlameiam todos os trajetos, escurecer e não esclarecer. As grandes explicações, que alguns alardeavam impossíveis no mundo pós-moderno, não desapareceram, mas foram embaladas e pasteurizadas. Sentido tão enlatado que seria melhor ficar sem. E que seja minha testemunha a total ausência de idéias perigosas da intelectualidade contemporânea (sim, eu posso retalhar qualquer teoria de araque que você me venha apresentar, mas isso seria tedioso).

Mas, vá lá, fica aqui um 6º, por assim dizer: Me diga o que é sentido pra você, só pra eu poder descascar.

Porque, afinal, o 7º, que é o importante: Sentido como «propósito». Conspirações são uma contradição termodinâmica, um CPU que calculasse o universo seria maior que o universo, e isso implica que não há plano, não há arquiteto da história, nem no começo nem no fim, e se trata tudo de grande improvisação, improvisação que não serve a ninguém nem tem propósitos de qualquer tipo, e assim como um jogo sem regras não é jogo, este mundo não tem sentido.

E, se puder trapacear, um 8º: Sentido como «sentido», e aqui é pelo menos plausível que o mundo tenha sentido, mas apenas se se criar o sentido, e para criar sentido é preciso que o mundo não o tenha.