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Tag Archives: µFiction

Saul nunca se achou o fodão. Ele não era craque do futebol nem ás da matemática. Mal mal ficava na média até no que fazia melhor, mas também não era particularmente terrível em nada. E foi assim que Saul acabou tendo um par de crenças completamente únicas. Ele achava que não era especial. Ao contrário da maior parte das pessoas naquele universo de bolso, ele não ficava continuamente buscando mais e mais, afinal já era privilegiado bastante, na sua opinião, do jeito como estava. Não se achava sub-valorizado, nem sub-pago, nem sub-respeitado, nem sub-amado. Saul estava satisfeito. Mas somente isso não o tornava único. O que Saul tinha de realmente sem par era que, diferente dos outros que se faziam de subalternos, o Saul realmente acreditava que sua forma de ver as coisas poderia ajudar as pessoas. Claro que a uma ou duas vezes que ele tentou fazer uma sugestão aquilo foi visto como tentativa de se impor, e ele logo aprendeu a não compartilhar essas opiniões, mas ainda assim… Ainda assim ele sabia a solução pra todas aquelas reclamações que todas as pessoas faziam o tempo inteiro.

Havia um país imaginário em que todos odiavam ser as pessoas que eram, todos faziam socialmente elaboradas poses que iam brutalmente contra suas realidades viscerais. Mantinha-se assim uma mentira universal, constante, cruel, inescapável — mas, ao final, banal. Neste país, por algum infeliz acaso, nasceu um menino que gostava de ser quem era. Não era bem orgulhoso (orgulho aliás era o que não faltava naquele país). Ele só estava satisfeito consigo. E, assim, porque todos mentiam e ele era sincero, ninguém nunca via o que estava por trás de suas palavras e por isso todos dele desconfiavam. Ele era extremamente solitário e lhe acusavam de inatingível. Ele prestava uma absurda atenção nas pessoas e lhe acusavam de estar sempre julgando. Ele não esperava nada de ninguém e lhe acusavam de ser exigente demais. Enfim ele se foi e ficaram todos perguntando qual o porque.

And after all the season was over, the vacations were over, the summer was over, it was all over and he had to go back. She would still keep going, she was still travelling, she actually had more to come back to than he did, but she didn’t care about letting it rest, letting it all wait.

In the distance, his bus appeared out of a turn in the road.

She asked “Are we still gonna see each other?” Read More »

The young priest/wizard held the staff high. It was the first ceremony he conducted with it, after inheriting it from the old sage, and he had decorated it with fresh mongoose blood and falcon feathers. Read More »