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A fidelidade (para alguns) é o que define o relacionamento de um casal. Um casal se torna um casal no momento em que prometem fidelidade um ao outro. Mas eu acho que existem dois tipos de fidelidade, e mais ainda, acho que é a fidelidade errada que é mais valorizada.

O primeiro tipo de fidelidade funciona assim: Você fode com o seu parceiro e com mais ninguém. Um beijo na boca é problema só porque se imagina que, como você beijou, também aceitaria sexo. Inclusive, ficar obcecado e apaixonado por um personagem em um livro não é um problema. Essa é a fidelidade do inseto-graveto, que passa uma semana copulando com a fêmea para que nenhum outro macho possa ter a chance.

Essa fidelidade é uma fidelidade negativa, porque ela se define por algo que você não deve fazer. Ela é uma proibição.

Mas existe um outro tipo de fidelidade. Vamos chamar isso de Lealdade. Lealdade é como uma fidelidade positiva, porque ela é um esforço que deve ser desempenhado: Você torna a vida do parceiro melhor, se esforça para isso.Você busca para ele o mesmo que busca para si, quer você chame isso de sucesso ou felicidade ou fama ou poder ou transcendência. Você age como se não houvesse diferença entre quem você é e quem o outro é. Vocês formam um time.

Para mim, essas são duas coisas completamente diferentes.

Mas mesmo assim eu entendo que são duas coisas do mesmo tipo. E de certa forma, dá pra imaginar que a fidelidade seja uma consequência da lealdade. Simplificando bastante, talvez seja mesmo. Mas as vidas das pessoas que eu conheço são bem mais complicadas. O que eu mais vejo são casais tentando obrigar lealdade do outro, mas através de uma exigência de fidelidade. Cada um tem uma ideia diferente sobre o que é o certo na relação, e ficam num eterno jogo de empurra em que ninguém nunca fica muito feliz.

Na minha forma de ver a coisa, o problema é que as pessoas querem ser amadas, elas querem lealdade, e isso não se pode cobrar, pelo menos não como se cobra um imposto. Um amor incondicional não pode ser uma condição. Você não quer que o outro faça alguma coisa para te mostrar lealdade, você quer que ele queira fazer. Você quer que a iniciativa parta dele. Que não seja uma obrigação, mas que ele veja aquilo como parte dos interesses dele.

Pedir do outro lealdade é pedir muito mais do que fidelidade.

Mas tem ainda uma complicação a mais que não dá pra esquecer: Nosso mundo hoje é sexualizado ao extremo. Estamos todos vendo e ouvindo coisas que lembram sexo o tempo inteiro, na publicidade e em todo lugar. E fica parecendo que o sexo é a solução do problema.

No fim, o que os casais esperam um do outro é só mesmo o controle do sexo. E a exigência nem é que o sexo entre eles seja bom, é apenas que não seja bom com mais ninguém. E no curto prazo isso ao menos te dá a segurança que o outro não vai se apaixonar por outra pessoa. Ele pode estar numa gaiola que você criou, mas ainda é uma gaiola. Mas pensando um pouco mais além, isso também significa que o outro se torna menos humano. O relacionamento vira apenas uma proibição.

Eu não acho que a proibição em si seja errada, mas eu acho sim que, se você está exigindo isso de alguém, provavelmente se esqueceu de exigir alguma outra coisa muito mais importante.

[transfered from tumblr]

how to be content but not contented, how to have questions but never doubt, how to be at peace but remain restless, how to be a realistic dreamer, how to be a pusher with perfect equilibrium, how to pray without demands, how to make better without making judgement, how to hope without naïveté, how to have faith without losing scepticism, how to be focused without being petty, how to be strong without being hurtful, how to love a person and still push him into all that he can be, how to love everyone and aspire to beauty, how to know perfection and make criticism, how to be impartial and understanding, how to make freedom without making blindness, how to dive and think, how to live and transcend, how to desire and not expect, how to light and not not-dark?

como ser alegre sem ser bobo, como questionar sem duvidar, como ter paz sendo inquieto, como ser um sonhador realista, como impulsionar com perfeito equilíbrio, como rezar sem pedir, como aperfeiçoar sem julgar, como ter esperança sem ingenuidade, como ter fé e permanecer cético, como se focar sem se tornar mesquinho, como ser forte sem causar mágoa, como amar alguém e ainda lhe exigir todo o seu potencial, como amar a tudo e ainda almejar a beleza, como entender a perfeição e ser capaz de criticar, como ser imparcial e compreensivo, como criar liberdade sem criar cegueira, como mergulhar e pensar, como viver e transcender, como desejar sem exigir, como luz sem negar o escuro?

Talvez — eu danço para descobrir ¿Qual o sentido da vida? Perguntando mais ou menos indiretamente: ¿Quê sou eu? Sou: ¿esse movimento? Ou: ¿essa carne?

Quando caio, protejo a cabeça. Mas protejo a cabeça ¿para não sofrer? Ou ¿para que o movimento não se acabe?

Porque dançar é talvez ser mais. Estar aqui mais. Dançar é existir mais diretamente e mais profundamente. Quando danço estou mais perto do sentido, não porque a dança tem sentido (talvez porque não tem), mas é que na dança o supérfluo não está, é como se a dança fosse uma pausa na banalidade e no supérfluo. Na dança não existem todas as coisas que temos que fazer mas que a gente sente que elas não importam realmente. A dança é uma pausa no desimportante pra somente ser.

Mas «ser» não é simples, nem simplesmente é. Por isso pra mim a dança me diz de suspender a banalidade para compreendê-la. Descobrir o não-banal exatamente dentro do banal.

Eu danço. Dançando, levando meu braço. E levanto o braço da mesma forma que levantaria em outro momento qualquer. E ainda é a mesma carne que vai para cima. Mas levantar o braço na dança não é o mesmo que levantar o braço.

A mesma carne vai para cima, mas não é o mesmo corpo. E a diferença entre carne e corpo, começo a vê-la na dança. Somente na dança alcanço a profundidade do ser na qual a diferença entre carne e corpo pode ser tocada.

Ou talvez expôr a diferença entre carne e corpo seja a própria definição, a essência do dançar.

E expôr essa diferença é também testar os limites entre «eu» e o que seja «verdade», entre a minha experiência e todas as explicações que justificam e escondem esse experimentar que dispensa explicações, dançar é (talvez) testar a diferença entre o importante e o que é apenas dito importante.

A dança busca uma essência mais profunda do que se poderia achar apenas retirando o inessencial.

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