Skip navigation

[Esse post é uma resposta à uma discussão de bar. Acho que eu não tenho competência de reproduzir exatamente as opiniões do meu interlocutor, e isso pode tornar o texto um pouco esquisito. Me pareceu que ele estava dizendo que o monoteísmo é a razão fundamental pela qual a bancada evangélica é intolerante ao ponto de impossibilitar o diálogo. Eu partilho de uma boa parte dessa crença, certamente partilho o horror e o desespero com a nossa bancada evangélica. Compartilho a intolerância contra a intolerância religiosa desse grupo. E justamente por isso acho que a questão é mais complexa, e que é preciso ser mais cauteloso com os conceitos da teoria das religiões.]

Começando do final: Mao era Católico. Se bem que eu não disse isso, minhas palavras foram: “Não quer dizer que Mao não seja Católico”. A diferença é sutil. Mas vamos lá. Mao foi profundamente influenciado por Marx, e esse por sua vez profundamente influenciado por Feuerbach.

Não estamos acostumados a ver a coisa assim, porque o resquício do debate são críticas que Marx faz a Feuerbach. No entanto, as noções de “estrutura” e “superestrutura” (que são ingredientes fundamentais da cozinha marxista) vêm diretamente de Feuerbach. A tese fundamental era de que as comunidades cristãs alemãs reproduziam os interesses da burguesia alemã e não da bíblia, muito embora as historinhas que elas contavam fossem tiradas da bíblia.

Nesse sentido, era exatamente a mesma coisa que Lutero dizia quando falava que o comércio de relíquias praticado pela instituição católica era imoral: Afirmava que isso estava de acordo com os interesses econômicos mas não de acordo com a bíblia. Read More »

No presente momento histórico em que escrevo isso a direita brasileira acusa a esquerda de uma crise econômica que era geopoliticamente inevitável e a esquerda não só assume a culpa como se esquece de que o seu papel, enquanto esquerda, é justamente não deixar que a economia monopolize a política. Um jogo de palhaços, que só parece comparativamente normal porque ao redor do mundo a coisa é ainda pior: Nos USA o candidato mais notório usa uma peruca que, literalmente, ficaria bem na cabeça de um palhaço; a Grécia está na merda mas mesmo assim é invadida por hordas de refugiados; as rotas marítimas são dominadas por piratas da Etiópia; o Japão demora 5 anos pra (não) resolver o acidente de Fukushima; China e Rússia têm duas raposas velhacas como líderes que podem até não ser piada pronta mas são certamente piada de mal gosto; e o que passa por “oposição” a tudo isso é um tipo de defesa arrogante e moralista do homossexualismo que, convenhamos, não é nenhuma novidade nem terceira via. Enquanto tudo isso acontece, o clima foi pro brejo, rapidamente se aproximando dos limites em que tentativas humanas de resistência se tornarão tão risíveis quanto a criança que tenta esvaziar o mar com seu baldinho de brinquedo.

Read More »

The first thing you hear when you set foot in Kobra City is the sybil. She does not like you, and you pay the bill just to show who’s in charge, but when you leave she deigns to tell you that you don’t really mean that much. “Who cares?” being the only possible answer. There are of course countless offers of bliss, and they’ll all not turn out to your appointments, or if they show up they’ll be all about their own business and give two fscks about you. And then there are the dealers, who chat and chat but somehow it all comes back to what matters, to the bottom line. They’re pros. They’re business. Sneak and clean and straight, and it is a pleasure to deal with someone who knows their xit. All done, pack up, and gone.

Um cérebro de macaco interpreta o mundo como macaquice. Isso significa que esse cérebro é primariamente uma peça de um quebra-cabeças que é um bando de macacos, e esse cérebro serve para descobrir quem é o chefão, quem é o otário, quem é inimigo, quem administra a comida, e assim por diante. Basicamente, uma série de «Quems». Dentro da cabeça, é um monte de macacos. Primatas são animais sociais e pra esse tipo de animal nada é mais importante que a hierarquia social. O mesmo cérebro também se encarrega de orientação espacial, dos modelos de causa-e-efeito, da crítica literária e assim por diante, mas isso tudo é secundário.

Essas outras coisas secundárias podem ser impressionantes, o que levanta a questão: “¿Como?”

A ciência, a arte, a pornografia, o K-Pop, a matemática, a culinária, as religiões, os engarrafamentos, o póstransmetamodernismo, a Burocracia, o SilkRoad7 — tudo isso (e muito mais) saiu de um cérebro de humano. Mas se o ser humano é um macaco e cérebros de macaco lidam primariamente com macaquices, se o cérebro de macaco é uma ferramenta especializada na política dos bandos de macacos, como é que todas essas outras coisas vêm à tona? Read More »

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 128 other followers