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Assisti recentemente um vídeo (anexado no final) sobre o “Protagonist Throw”, ou seja uma trope em que o malvadão agarra o herói pelo pescoço, tira ele do chão, e atira ele pro outro lado do lugar. A teoria do vídeo é que isso se tornou uma muleta que maus escritores usam pra disfarçar enredos ruins.

Eu meio que concordo, mas acho que o buraco é mais embaixo.

Me parece que não se fazem mais bons filmes de aventura porque os escritores contemporâneos são todos uns criadões de vó criados no leite de pera que nunca tiveram uma aventura na vida e por isso são incapazes de escrever uma história de aventura. Ou mais precisamente, são pessoas que conhecem muitas histórias de aventura e poucas aventuras, portanto prestam mais atenção na história enquanto obra do que enquanto uma possibilidade de ação.

O exemplo óbvio é o J.J. Abrams falando que o segredo de Império Contra Ataca seria uma “caixa mágica” que tem um segredo que você não sabe qual é, e que a revelação do segredo faz o filme valer à pena. O segredo, no caso, sendo que Darth é pai. Mas é óbvio que não, ninguém ficou esperando a revelação do segredo, não tinha nada prognosticando isso acontecer, a coisa simplesmente vem de lugar nenhum e te surpreende.

Transformar uma surpresa em uma “caixa mágica” é erro óbvio de confundir uma meta-análise com análise. Ou seja, do ponto de vista da estrutura da história, existe uma reviravolta do enredo, e essa reviravolta é meio que parte do ritual. Mas, dentro da história, ou seja se você estivesse vivendo aquilo, não.

J. J. Abrams (e, muito mais, todos os escritores de filmes de ação contemporâneos) escreve assim porque está tentando fazer um filme emocionante, não tentando fazer um filme sobre algo emocionante. Não é uma aventura, é um filme de aventura. A tal ponto que coisas que não fariam sentido nenhum na vida real passam a fazer sentido no filme.

E se você é um criadão de vó que nunca saiu de casa sem alguém te vigiando, isso vai parecer fazer sentido.

Ou seja, talvez o problema dos filmes de ação contemporâneos (que são todos uma bosta) seja na verdade um problema de geração, dessa nova geração que não brinca na rua, que não anda de bicicleta fora da ciclovia, que não sabe o que é não estar sendo vigiado.

O problema óbvio da minha teoria sendo que J. J. Abrams não é um “millenial”. O bicho já tem seus 60 e tantos. Mas era filho de diretor e acho que viveu no cinema. Por isso nunca levou porrada no recreio, e é quase um criadão de vó millenial. Anyway.

O que me leva a prever que nunca mais teremos filmes de ação tão bons quanto os dos anos 80. Nunca mais algo da dimensão de um Goonies ou Indiana Jones. Simplesmente porque a geração atual não consegue se imaginar saindo do seu conforto o suficiente para estar sofrendo algum risco. Triste.

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