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Acabo de me mudar e tudo mudou. Agora sou de Taguá City. E o restaurante do lado da minha casa tem manteiga na garrafa de shoyu — GENIUS!!

Manteiga na garrafa de shoyu

Falando mais sério. Tem dois anos que voltei ao DF. Uma amiga disse que não entendeu minha volta do sul. Mas acho que no fundo não é tão difícil de explicar. Fiquei sete anos em Curitiba, e minha vida lá era ótima. Só que um dia eu acordei e tava faltando alguma coisa. Foi bem assim mesmo, de um dia pro outro. No fim de semana seguinte conheci uma mulher em SP, dois meses depois estava morando com ela, oito meses depois estava me separando e viajando pra esquecer. Essa viagem durou mais um ano. E daí, quando já não tinha mais pra onde viajar, voltei pro lugar onde tinha morado mais tempo, meio que só por default mesmo, meio que por falta de criatividade.

E aí acontece que todos os meus familiares goianos que vieram pro DF adoram AC, a cidade de plástico, o eterno condomínio, o centro mundial da coxinhice, e eu fui pra lá, também na falta de criatividade, numa tentativa de me aproximar da família. Mas AC é tipo bem a minha cara, só que não. A antimatéria do bem a minha cara. E eu morei lá meio que sabendo que tinha que me mudar, por dois anos. Na base do foi fono, foi fono…

Teve uma fase bem ruim aí, também. Eu estive uma fase meio que só levando as coisas, sem nada me dar muito tesão, sem nada realmente me importar. Só mantendo. E isso meio que virou uma falta crônica de endorfina. E isso meio que virou uma depressão. Talvez não foi uma depressão clínica completa, e eu também não fui num psiquiatra pra ter certeza, mas alguma coisa bem próxima disso. A ponto de manter telefones de emergência no celular, por via das dúvidas.

Mas, assim, mantendo. Resolvi que precisava baixar meu tempo na corrida, baixei meu tempo na corrida. Resolvi que eu tinha que fazer barra, fui atrás e tô fazendo barra. Aliás até desenvolvi uns músculos e não tô ficando mal de camisa regata, diga-se de passagem. E assim por diante. Lendo bastante. Fazendo muito duolingo. Nerdalhando altos postscript. E assim por diante.

Um projeto que tomou um tempo monstruoso, que originalmente era pra ser um post nesse blog, daí virou três posts, daí uma sequência aberta de posts, é um texto chamado “Longo e Tortuoso Comentário sobre o Poder da Palavra”. LTCPP para os íntimos. Vocês ainda ouvirão falar disso.

O outro projeto infinito e que nunca acaba, PjPs ou ProjetoPoese, ou o livro, essa lenda, bom, eu tinha me proposto a trabalhar mais no computador pra não ficar gastando tanto papel, mas daí imprimi uma cópia por alguma razão aleatória, daí comecei a fazer umas correções, daí as correções cresceram tanto que eu comecei a colar umas folhas extras, vai imaginando, a coisa tá quase parecendo um móbile. O grande Mr Rhawbert olhou e disse: “Você sabe que isso fugiu do controle, né?” Melhor comentário ever. Mas tá indo, tem dias que eu olho pro que eu escrevi e fico até orgulhoso. If i say so myself. Todas as estimativas de término disso falharam, então não faço mais, mas digamos que se eu sumisse hoje e alguém achasse o arquivo .scriv até que já dava pra ler. E se alguém achar esse manuscritos com as mil flechas e anotações e páginas extras, dava uma obra de arte moderna.

Em algum momento dessa vida eu comecei a jogar Dwarf Fortress. E esse jogo é uma obra de arte. Falando sério. Inacreditável.

Acho que outra coisa que me ajudou a sair um pouco do buraco foi que minha irmã veio passar uns dias no Brazil, e minha irmã é fodástica. Muitas conversas, muitos abraços, muitas filas do INSS, e acho que deu pra matar um pouco a saudade infinita que eu sempre sinto dela. E ainda por cima bateu de bem quando ela estava aqui conseguirmos agilizar uns negócios que tavam pendentes desde muito tempo. Isso tudo me fez muito bem.

E ao longo de tudo isso eu fui melhorando. Mas meus buracos costumam ter um momento muito claro de fim, por alguma razão, e nesse caso foi um cartão postal. Que começou de uma forma muito inocente, eu vi um cartaz com essa frase célebre “Tudo que é sólido desmancha no ar” só que eu li errado, eu li solidão, e achei lindo de morrer, mas aí eu voltei lá e era sólido mesmo, daí eu escrevi bem grande no meu carderno a frase errada (ou certa, sei lá) e um senhorzinho passou e falou “gostei” e eu “mas tá errado” e ele “o seu é melhor que o original”. Daí eu fiquei meio que achando que tinha que fazer algo com isso, daí tinha uma caneta de caligrafia na Casa das Artes, daí a coisa foi crescendo. E virou meu cartão postal anual, que aliás o do ano anterior até existiu mas foi muito barra pesada por isso eu não tinha mandado pra ninguém. Mas o fim da história é que depois que eu comecei a mandar esses postais pelo correio levantou-se o véu da minha depressão.

Tudo que é Solidão desmancha no ar

E eu comecei a encontrar as pessoas legais por coincidência. E acho que comecei a me abrir mais.

E é engraçado que daí eu descobri um nível novo do aceitar a vida como ela é. Porque uns 7 anos atrás no meu primeiro UP eu tinha descoberto essa forma de olhar pras coisas e aceitar que tudo é perfeito. E foi muito forte isso, e durou muito tempo. E talvez esses últimos dois anos eu ainda sabia fazer isso mas eu não tinha interesse em fazê-lo. E agora, tendo passado pelo túnel, é como se eu conseguisse ver a tristeza e ver como ela é perfeita também.

Ou eu tô ficando velho.

E nisso engatou o carnaval. Aliás, renderiam vários posts, as fofocas desse carnaval. Benzadels, tiveram aventuras! A última vez que eu tentei passar carnaval em Brasília foi uma decepção só, eu ia pros blocos e ficava “isso não é bloco! isso não é carnaval! isso não é communitas dissolvendo structura!” (porque, né, a pessoa é nerd até pro carnaval). Mas esse ano era, tudo isso era. No primeiro dia fui de babydoll, no segundo de Littlefinger, no terceiro de Mr Robot, e por fim fui com uma máscara de marcio que confundiu muito as pessoas. E bem, pra não entrar em detalhes, digamos que eu não tava difícil. Mas o bafão do carnaval foi que no Tetas eu meio que levei um fora, daí peguei meia garrafa de cachaça que eu tinha levado pra misturar e tomei pura. Em 5 minutos. Pra não dizer que eu virei a coisa. E aí foi lama. Mas num nível épico. Acordei no dia seguinte com a cara destruída. E quase achei que tinha queimado a largada e perdido o último dia de carnaval. Mas aí na hora que eu ia tomar café na padaria cruzei com uma enfermeira no elevador e ela disse que parecia que tava tudo bem, que não tava dando pra morrer. E eu ainda tinha uma máscara não utilizada. Daí saí com a cara estrupiada mesmo. Uma galera achou que era maquiagem.

De qualquer forma. A última coisa que tava faltando na minha vida era sair de AC. Eu sabia que tinha que sair, que já não fazia mais nenhum sentido estar ali. E fui pra um lugar que, no fundo, é super perto dalí. Mas tem cara de cidade. Eu converso com as pessoas quando estou ali, não sei se porque as pessoas são menos estranhas ou se porque eu me sinto mais à vontade. E deu um trabalhão, mas me mudei. E ainda estou nesse estado mudança, com tudo metido em caixas, com várias coisas pra arrumar, com coisas de casa faltando pq vc perdeu na mudança, e isso. Mas tô me divertindo remontando minha casa.

E acho que é isso.

nascer-do-sol-em-tagua

Bom, isso e tô de rolinho com uma sujeita (maravilhosa!!) aí. Mas essa fofoca deixa pra outro dia.

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