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Quero te pedir uma coisa.

Um último pedido de alguém que, você mesma admitiu, ou pareceu admitir, não te importa muito.

Queria te pedir que me odiasse. Eu te dei um pé na bunda, afinal, eu te mandei passear, fui eu e não você que deixou claro que o meu corpo já não está mais à sua disposição.

Pois veja que esse seu papo mole de que eu sou tão fofo e especial, de que você tem certeza que vou encontrar alguém, esse papo é tão escroto quanto uma demissão com desejos de boa sorte.

Por isso te peço que me odeie. Apesar de que eu fui a melhor coisa que te passou pela frente, ontem e sempre, e no fundo você nem sabe o quanto, embora você saiba que não sabe. Me odeie porque eu te faço ver a idiota que você é. Me odeie por não saber te comer e ignorar as merdas que você diz. Me odeie por não estar interessado nessa relação de pequenas alfinetadas e subsequêntes pedidos de desculpa, essa constante amargura que você parece achar que é um relacionamento (nem vou entrar nas suas psicologias, nas suas faltas de limite, afinal é justamente por não ter nenhuma obrigação de te ensinar porra nenhuma que eu me afasto). Talvez: Me odeie por te tirar o doce da boca, por te tirar o meu corpo, que você bem sabe eu nem acho tanta coisa, mas era teu brinquedo e como boa criança chorona você pode preferir me odiar por não querer ser usado. E se nada mais der certo, apele pra essa bobagem ridícula e francamente paranóica de que eu sou bom demais e que eu não tenho sensibilidade.

O pedido não é nenhuma piada interna ou qualquer coisa do gênero, e nem é um barrados no baile do tipo que você faz com seus amigos. É só porque, assim, fica mais fácil eu esquecer que a culpa é minha, fica mais fácil eu disfarçar minha pose de exigente, eu insistir que não sou eu que sou mais realista do que o rei, assim eu posso fingir que também sei aceitar a mediocridade do outro, quando é tudo que ele tem para dar.

Porque sim, eu acho que o foda mesmo seria, frente aos seus preconceitos, colocar-me como testemunha neutra, e deixar você se confundindo com suas bobagens, e deixar você correr nesses círculos sem sentido, e entender que não era por mesquinharia que você me oferecia seu corpo e nada mais, que era por pura confusão, e enfim não te tratar como cega se você somente não quer ver. Eu sei que essa grande campanha contra a mediocridade alheia não tem nada de brilhante, e eu sei que faço esse discursinho barato de que as pessoas são perfeitas como elas são com todos os defeitos e qualidades e etcétera, mas enfim quando era hora de aceitar você com seus defeitos, não deu. Eu tentei, vou dar essa desculpa fraca de que eu tentei, mas o fato é que não, não consegui andar no caminho que deixei sair da minha boca.

Atender a pedidos meus nunca foi do seu feitio, mas esse, eu creio, também pode lhe servir. Veja: Me odeie, eu fico como grosso, você fica como inocente, e ninguém precisa admitir nenhuma verdade incômoda. Você nem tem que fazer nada, nem tem que dizer que eu não presto, só estou te pedindo que coloque uma mentira no lugar das mentiras que você já contava pra si mesma.

Beijos, e boa sorte. Tenho certeza que você vai achar alguém muito especial pra você também.

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