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Depois de uma JAM, um garoto me perguntou se eu tinha algum conselho… Difícil isso, ficar dando conselho na dança, né? Na hora eu falei um lance de fazer ou não fazer força, tava procurando (e não achando) as palavras.

O que eu queria dizer é que você pode ficar numa postura de expectador do movimento. O seu corpo está se mexendo, até porque tem uma outra pessoa se jogando contra o seu corpo, mas mesmo assim você ainda é importante se lembrar de olhar esse movimento. Só olhar.

Teve uma hora nessa JAM que a gente tava dançando que aconteceu uma coisa parecida com isso. Eu tinha perdido o contato com o chão e ficado apoiado só com o quadril no garoto. E não estava 100% equilibrado, então eu achei que meu corpo ia girar pra um lado. Só que ele girou exatamente pro outro lado. E isso ainda aconteceu mais ou menos devagar, me deu tempo de ficar lá, só achando aquilo curioso, ¿sabe quando dá vontade de colocar a mão no queixo e falar aahhhhh?.

Daí nesse momento essa coisa de “ser observador do movimento” apareceu, super clara. É uma desses mistérios da dança, que às vezes alguma bobagem te explica algo que você ficou meses tentando entender e não conseguia.

Claro que essa sensação vai e volta, tem dia que vc está mais nela, tem dia que está menos. Eu tento trazer isso pra dança, mesmo se me faltam palavras pra transformar a sensação em “conselho”. Mas não é também uma regra nem nada.

Só que também acontece de que, estando nessa sensação, você acaba descobrindo possibilidades de movimento que não percebe no dia a dia. Algumas complicadas, mas é muito comum serem coisas simples, que até parecem óbvias se você tentar analisar, mas que são movimentos que você nunca vê, nunca faz.

É um movimento super normal e super alienígena, ao mesmo tempo. Essa dá uma boa descrição do CI.

Mas não é tanto um movimento, uma coreografia. Acho que é uma coisa que acaba sendo chamada de “qualidade de movimento”, só que eu odeio esse termo. Digamos que tanto uma técnica-da-atenção quanto uma técnica-do-movimento. Aí o CI é mais um estado que uma ação. É daí, acho, que aparece um tipo de movimento bem do contato que é amplo mas não usa força. Parece que isso dá ao movimento uma sensação de liberdade.

Disso que eu tava tentando falar quando balbuciei pro garoto qualquer coisa sobre fazer menos força. Mas é engraçado porque eu, pessoalmente, não tenho nada contra a força, aliás muito pelo contrário, adoro a sensação de contração muscular, e acho que é legal isso na dança também (e sei que tem muita gente que discorda, uma vez até gritaram comigo porque eu falei isso!). De certa forma nem é um conselho, é uma tentativa de compartilhar uma coisa que aconteceu comigo quando a gente tava dançando. Uma sensação que eu tive, que talvez não tenha ajudado na dança, que talvez uma platéia nem percebesse, que talvez seja até egoísta eu ficar com ela no meio da dança com o outro, mas isso tudo não importa muito.

Não que a tal sensação que eu estou tentando achar uma descrição pra ela (e não achando), não que essa sensação seja lá tão importante, também. É só que ela abre portas, e nessas portas às vezes passa algo importante.

Acho.

One Comment

  1. Isso me lembrou das meditações ativas do Osho… vale a visita: http://www.osho.com/pt/meditate/active-meditations/nataraj-meditation


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