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Assisti uma coreografia chamada “Mostra-me suas miudezas”, e pra mim foi um momento sagrado. Mariana Mello, a dançarina, é ridiculamente incrível. Depois da apresentação aconteceu uma roda de discussão, e uma das coisas faladas foi que uma música que fazia parte da obra tinha uma letra, e se aquela letra tinha algum significado, se as pessoas se deixavam levar por isso. Alguém comentou que quando a música entrou que achou um elemento pesado demais, que a música competia com o movimento, mas que depois foi indo e ela acabou se deixando levar e aquilo fez parte. E eu concordo completamente. Eu adoro a música, muito, mas foi um erro. Acontece que Mariana é tão talentosa, e a coreografia é tão poderosa, que ela acabou apagando o erro. E pode ser que, para algumas pessoas ridiculamente incríveis, não falhar, não errar, seja um risco tão grande quanto o risco de errar. Como a garota que se orgulha de ter conseguido todos os caras que já quis, e exatamente por isso nunca aprendeu a lidar com a rejeição, e exatamente por isso quando a rejeição acontece dói com uma profundidade muito maior, maior do que ela pode suportar.

E, ainda que a incrível-dade não seja distribuída igualmente, eu acho mesmo que todas as pessoas são incríveis, e acho que parte disso é aprender a ver a si mesmo, não a máscara atrás da qual a gente labuta, mas ver você mesmo com sinceridade, ver suas próprias miudezas. E parte disso é a determinação, visceral, quase selvagem, de transformar até seus erros em beleza. De tornar essa dor força.

[transfering the ex tumblr]

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