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Havia um país imaginário em que todos odiavam ser as pessoas que eram, todos faziam socialmente elaboradas poses que iam brutalmente contra suas realidades viscerais. Mantinha-se assim uma mentira universal, constante, cruel, inescapável — mas, ao final, banal. Neste país, por algum infeliz acaso, nasceu um menino que gostava de ser quem era. Não era bem orgulhoso (orgulho aliás era o que não faltava naquele país). Ele só estava satisfeito consigo. E, assim, porque todos mentiam e ele era sincero, ninguém nunca via o que estava por trás de suas palavras e por isso todos dele desconfiavam. Ele era extremamente solitário e lhe acusavam de inatingível. Ele prestava uma absurda atenção nas pessoas e lhe acusavam de estar sempre julgando. Ele não esperava nada de ninguém e lhe acusavam de ser exigente demais. Enfim ele se foi e ficaram todos perguntando qual o porque.

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